A primeira criação de design do mobiliário de que se tem notícia, data do antigo Egito e tem origem nobre. Foi criada para servir aos faraós; isso mesmo; um trono! Esta é a primeira criação de design. Os tronos eram o que se chama hoje de banquetas revestidos em ouro e pedras preciosas.
Desde então, parece que a cadeira é o ícone de todos os estilos e movimentos de design; chegando até a parecer uma obra de arte.
Símbolo do poder dos reis, da nobreza da aristocracia, da força e austeridade do clero, da necessidade do povo, da criatividade dos designers, da forma do corpo de rainhas (a cadeira Queen Annie, tem seu encosto com o mesmo formato dos ombros da rainha), da energia da revolução industrial, da ousadia dos artistas, a cadeira hoje tem história para contar e é uma das mais sofisticadas peças do design contemporâneo.
O que há em comum entre o trono de um lord criado em 1836 , a cadeira Hill House de Charles Rennie Mackintosh criada em 1903, a cadeira Wassily, criada em 1925 por Marcel Breuer (encarregado da oficina da escola da Bauhaus com apenas 22 anos de idade), a cadeira Panton que leva o nome do criador em 1960 e as várias criações dos nossos irmãos Campana de hoje?
A resposta é simples. Design, tecnologia, criatividade e ousadia.
O ponto das grandes mudanças é a revolução industrial quando peças únicas dão lugar a produção em série. A tecnologia está mais à mão e designers podem ter suas criações multiplicadas sob um novo conceito; o da funcionalidade.
A revolução industrial do final do século XIX, além de revolucionar os meios de produção, influenciou o modo de vida e criou verdadeiras revoluções de conceitos e comportamento.
O excesso de detalhes e adornos das peças antes artesanais cede lugar ao minimalismo do conceito “forma e função” e da busca pelo novo. A influência pode ser sentida não só no mobiliário mas na moda, arquitetura, arte, literatura e em tudo mais que cerca a criação.
Breuer foi o precursor do design arrojado para as cadeiras; sua criação, a cadeira Wassily, inspirada nos tubos de sua bicicleta, é um verdadeiro clássico do design mundial e como todo clássico, atual quase cem anos depois. Deu origem ao sistema de construção de mobiliário tubular usado ainda hoje. De tão atual, há quem diga que a cadeira Wassily tem design contemporâneo.
Engano; os móveis modernos criados principalmente sob a influência da escola da Bauhaus na primeira metade do século XX foram tão felizes e arrojados em sua concepção que deram origem não só a estilos e formas, mas a tecnologias de fabricação; seus criadores jamais serão esquecidos e suas criações se multiplicam e sofrem releituras das mais diversas formas.
O design contemporâneo por sua vez, está aí, seus designers estão em plena atividade produzindo e criando inovações. O contemporâneo bebeu da fonte do modernismo e tem em comum com o estilo mestre, a genialidade, onde forma e função são uma só diretriz, um só motivo para criar e encantar. A cadeira continua sendo um símbolo desta criação e aparece também no trabalho de artistas de maneira polêmica e muitas vezes inusitada.
Hoje, com a globalização, designers criam em conjunto em nome da auto-suficiência superando obstáculos e desenvolvendo novas tecnologias. Surge um profissional mais completo. Os tempos de hoje pedem profissionais mais diretos e o conceito pode ser definido como: “a menor distância entre dois pontos é uma linha reta , mesmo que seja curva”. Simplicidade e objetividade nos projetos; peças únicas são criadas com o conceito atemporal da produção seriada. Outro conceito importante é o da ecologia. Cada vez mais vemos produtos que utilizam em sua concepção, materiais recicláveis, madeiras de reflorestamento, aproveitamento de materiais de maneira ecologicamente correta e tingimento com pigmentos naturais e não poluentes.
Hoje, vivemos sob o resultado da grande revolução tecnológica do século 20 que preparou o homem para a nova etapa no século 21 e temos cada vez mais como objetivo, o conforto do homem e o aperfeiçoamento de nossos serviços de forma ordenada e em harmonia com a natureza; já que finalmente entendemos que sem estes dois dados fundamentais, a criação e produção se perdem no anonimato de peças sem aquele “algo mais” que diferencia os grandes criadores de produtores comuns.

